As SETEVIDAS de Pitty foram apresentados de maneira impecável em SP

Artigo publicado no site MinhaSampa, atualmente fora do ar.

“Ele mora depois do seis e antes do oito, e é primo. Pragmaticamente ele até poderia ser apresentado assim, mas veio vestido de mistério. Os sete dias da semana norteiam e conduzem nossa rotina. Queria mesmo era pintar o sete navegando os sete mares, e quem sabe as sete cores do arco-íris dariam o ar de sua graça. Mas as coisas seguem oscilando entre os sete pecados capitais e os sete princípios da moral pitagórica. Todos os sentidos atravessando os sete buracos da minha cabeça. Tudo o que é intuitivo e sinuoso como um gato, que tem sete vidas.”

É com esse prólogo falado por um avatar computadorizado do rosto da cantora que o show se inicia. O show que marca 1 ano de lançamento do quinto CD da banda “SETEVIDAS” começou com o hit que deu nome ao CD, e mostrou uma banda cheia de energia e de altissíma qualidade.

Mais de duas horas antes do show, do lado de fora da Áudio Club, na zona oeste de São Paulo, a fila para entrar na casa de shows já dava voltas no quarteirão e garantia que a noite seria um sucesso. Com ingressos praticamente esgotados Pitty e sua banda fizeram um show impecável para quase 3.000 pessoas.

Com mais de dez anos de estrada, a cantora baiana hoje é um dos maiores nomes do rock brasileiro, e com o amadurecimento dela, veio também o amadurecimento dos fãs. Os gritos de “Pitty, eu te amo!” que faziam parte de todos os shows da cantora, hoje se tornaram ovações, palmas e gritos para ela e a banda. Amadurecimento reconhecido também em cima do palco, muito mais ciente e com mais presença de palco, Pitty soube como controlar e guiar com emoção o público durante todo o show.

Na sequência de “Setevidas” veio “Anacrônico”, “Admirável Chip Novo” e “Semana que Vem” hits antigos que fizeram a casa de shows ir abaixo. Em pulos e gritos, o público acompanhou sagradamente todas as canções sem esforços. Em frente ao palco, os fãs mais fervorosos não deixavam espaços sequer para uma agulha, e mais ao fundo, com mais espaço o público era composto por um público diferente: de crianças a adultos, que também sabiam todas as letras.

Na primeira pausa, Pitty deu boas vindas ao público e chamou “Deixa Ela Entrar”, do novo disco, que também foi acompanhada pelo público de cabo a rabo. Em sequência Pitty tirou a guitarra para acompanhar Martin em “Teto de Vidro”, hit do seu primeiro CD.

“Memórias” é uma das músicas mais pesadas da fase antiga de Pitty, com uma entrada que vem no solo de baixo de Gui Almeida, Pitty introduz a música que foi cantada em coro. No meio da canção, acompanhada da bateria de Duda, ela colocaum refrão d’Os Mutantes, “Ando Meio Desligado”.

O amadurecimento é perceptível em toda a banda, tanto no estúdio, quanto no palco. A composição de palco, aliás, fugiu do normal ao colocar a bateria na mesma linha que o resto da banda no canto esquerdo do palco, ao invés de deixar a bateria ao fundo. Mostrando a linearidade e sintonia da banda com a cantora. Setevidas é considerado, pela própria cantora e pela crítica, o CD mais intimista, e é, sem sombra de dúvidas o mais bem estruturado da banda: com um instrumental mais qualificado e detalhista, com novos instrumentos, é perceptível a evolução da cantora e da banda, da composição instrumental até as letras.

O resto do show seguiu com alguns hits do novo CD também embalados pelo público, em “Um Leão” a voz da cantora quase desaparecia em meio ao público que cantava aos gritos os embalos lentos da música. Seguida da pesada “Pulsos”, do CD Chiaroscuro.

A parte mais emotiva do show começou quando Pitty pegou novamente a guitarra e a banda deu uma pausa, apenas ela e o público embalaram uma de suas canções mais lentas, “Só Agora”, foi pura emoção, perceptível no rosto de quem estava acompanhando o show. A banda volta para acompanha-lá nas novas “Olho Calmo”, seguida de “Boca Aberta” e a mais sexy do CD novo “Pequena Morte” que é lindamente interpretada de corpo e alma por Pitty.

No meio do show, Pitty falou que nunca tinha se sentido tão bem em cima do palco como está atualmente, e agradeceu a banda e ao público por essa nova fase e por acompanharem a transição. O show seguiu com “Me Adora”, “Equalize” e “Na Sua Estante”.

Antes de cantar o seu primeiro single “Máscara”, de 2003, a cantora falou que apesar dos mais de 10 anos de diferença da criação da música ela continua atual

“As palavras eram de uma menina daquela idade, mas a ideia é a mesma, que a gente possa viver em paz, igual, todos. É um clichê? É. Mas nessa época é tão importante a gente conseguir falar isso, e é tão importante olhar aqui e ver todo mundo misturado: homem, mulher, preto, branco, gay, hétero, todo mundo aqui, vivendo. Junto. Em paz.”

E a música também veio acompanhada de um refrão de “Bom Senso” de Tim Maia cantado em um microfone dos anos 60 que deu um toque diferente na voz da cantora.

O show terminou com a última música do novo CD, “Serpente” que foi o segundo single. Com bexigas brancas e plaquinhas que entonavam o “oh oh oh” da canção, o público se fez presente até o fim do show, quando Pitty continuou por alguns segundos no palco olhando para a casa ainda cheia e o público entonava gritos e palmas para a cantora..

A cantora se encontra em um dos melhores momentos da carreira, e se eu puder te dar um conselho é: você deve ir em um show da turnê Setevidas! Garanto que não irá se arrepender.

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